O Sistema
por @Karina Silva
Ninguém nunca viu o rosto do Fantasma. Há três anos Isis vende informação para facções, milícias e quem mais pagar, sem nunca escolher lado — porque neutralidade, no Rio, é sobrevivência. Até chegar uma encomenda com o mapa do bairro onde ela cresceu, onde a mãe dela ainda estende roupa no quintal. Ela aceita. E entrega um mapa envenenado, calculado para atrasar em um ano a expansão que vem engolir aquelas ruas. O plano funciona. O problema é que a mentira sai andando sozinha e encontra um homem que não tem nada a ver com aquilo — e que, três semanas depois, Isis vai ser contratada para auditar. Sem rosto, ela era intocável. Com rosto, ela é funcionária.
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